Nós, que integramos o Fórum Piauiense de Educação do Campo (FOPEC), expressamos nossa profunda indignação e revolta diante do cancelamento do processo seletivo da Licenciatura em Educação do Campo para 2025.2 na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Essa decisão representa um duro golpe contra décadas de luta por justiça, inclusão e reconhecimento dos direitos dos povos do campo historicamente excluídos do acesso ao ensino superior e à educação como um direito constitucional.
A Educação do Campo, é um direito nosso e um dever do Estado! Essa afirmativa é uma expressão legítima da resistência e da busca por justiça social junto com os povos do campo. Durante décadas, os povos do campo têm enfrentado desafios históricos de exclusão, invisibilidade e negação do direito ao acesso à educação de qualidade, em todos os níveis. A Educação do Campo não é apenas uma política educacional, é um projeto de transformação social que reconhece e valoriza os saberes, culturas e modos de vida dos povos do campo e as potencialidades do meio rural brasileiro. A Educação do Campo propõe uma escola contextualizada, ligada à realidade das comunidades, com currículo que respeite suas identidades e necessidades.
Nesse contexto, a inserção dos povos do campo nas universidades públicas é uma conquista fundamental protagonizada pelos movimentos sociais no contexto da criação de políticas afirmativas e à oferta de cursos voltados às especificidades do campo, com provas e seletivos específicos, muitos filhos e filhas do campo têm conseguido ocupar os espaços acadêmicos, trazendo novas perspectivas e enriquecendo o debate universitário com sua vivência e conhecimento. No entanto, ainda há muito a ser feito. É necessário garantir permanência estudantil, expandir vagas em cursos voltados às realidades do campo e consolidar programas de formação docente, como o PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), que têm papel estratégico nesse processo.
A Educação do Campo é fruto da resistência de movimentos sociais, comunidades tradicionais, trabalhadores e trabalhadoras rurais que nunca deixaram de lutar por uma escola que respeite seus saberes, territórios e modos de vida. A inserção dos povos do campo na universidade
não é favor, é direito adquirido e reconhecido. Um direito conquistado com muita luta e que hoje se vê ameaçado por decisões hegemônicas e excludentes.
O cancelamento do processo seletivo é um ataque à esperança de jovens do campo que sonham com a universidade como espaço de transformação coletiva e justiça social. É também um retrocesso frente às políticas públicas construídas com base no diálogo, na participação social e no reconhecimento da contribuição efetiva de professores, estudantes, educadores do campo e movimentos sociais.
Reafirmamos nosso compromisso com a educação do campo como instrumento de emancipação, justiça social e democracia. Exigimos respeito aos nossos direitos, à continuidade das políticas de acesso e permanência e à efetivação de processos seletivos que reconheçam a especificidade e a importância da formação superior para os povos do campo.
Defender a Educação do Campo é lutar por condições de igualdade na educação de forma democrática e plural. A universidade deve ser lugar de todos e todas e, os povos do campo têm o direito de sonhar, estudar e transformar o mundo a partir de suas raízes e de um projeto de educação do campo no campo.
Seguiremos em luta!
A universidade é nossa por direito!
Educação do Campo é Resistência! Universidade para os Povos do Campo, Já!
FÓRUM PIAUIENSE DE EDUCAÇÃO DO CAMPO – FOPEC
Piauí, 2025.
