A Educação do Campo nasceu das experiências de luta pelo direito à educação e por um projeto político pedagógico vinculado aos interesses da classe trabalhadora do campo, na sua diversidade de povos indígenas, povos da floresta, comunidades tradicionais e camponesas, quilombolas, agricultores familiares, assentados, acampados à espera de assentamento, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos e trabalhadores assalariados rurais.
Ela teve como ponto de partida o I Encontro Nacional de Educadoras e Educadores da Reforma Agrária – I ENERA e o seu batismo aconteceu na I Conferência Nacional Por Uma Educação Básica do Campo realizada em Luziânia, GO, no ano de 1998, reafirmada nas lutas e em sua identidade nas diferentes ações desde então e envolvendo progressivamente um conjunto maior de organizações e entidades.
O eixo principal do contexto de surgimento desta nova prática social foi a necessidade de lutas unitárias feitas pelos próprios trabalhadores e suas organizações por uma política pública de Educação do Campo que garantisse o direito das populações do campo à educação e que as experiências político-pedagógicas acumuladas por estes sujeitos fossem reconhecidas e legitimadas pelo sistema público nas suas esferas correspondentes. Mas exatamente pelos sujeitos envolvidos e a materialidade social que a institui, a marca de origem da Educação do Campo e de seu projeto educativo foi sendo constituída pela tomada de posição nos confrontos entre concepções de agricultura, de projetos de campo, de educação e de lógica de formulação das políticas públicas.
O Fórum Nacional de Educação do Campo – FONEC caracteriza-se como uma articulação dos sujeitos sociais coletivos que o compõem, pautados pelo princípio da autonomia em relação ao Estado configurado em qualquer uma que seja de suas partes.
Participam como membros efetivos do Fórum: institutos de educação e universidades públicas, movimentos sociais e sindicais populares do campo e entidades que atuam na Educação do Campo.
O objetivo do FONEC é a articulação pela garantia do direito à educação das populações do campo, em todos os níveis e modalidades; o exercício da análise crítica constante, severa e independente acerca de políticas públicas de Educação do Campo; bem como a correspondente ação política com vistas à implantação, à consolidação e à elaboração de proposições de políticas públicas de Educação do Campo.
Instituições que aprovaram a criação do Fórum Nacional de Educação do Campo:
- Cátedra da Educação do Campo – UNESCO/UNESP de Educação do Campo
- Comissão Pastoral da Terra – CPT
- Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG
- Federações Estaduais de Trabalhadores na Agricultura – FETAGs
- Fórum Catarinense de Educação do Campo – FOCEC
- Fórum Estadual de Educação do Campo do Pará – FPEC
- Instituto Federal de Brasília – IFB
- Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC
- Movimento das Mulheres Campesinas – MMC
- Movimento de Organização Comunitária – MOC
- Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
- Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
- Rede de Educação do Semi-Árido Brasileiro – RESAB
- Serviço de Tecnologia Alternativa – SERTA
- União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil – UNEFAB
- Universidade de Brasília – UnB
- Universidade Estadual da Bahia – UNEB
- Universidade Estadual do Amazonas – UEA
- Universidade Federal da Bahia – UFBA
- Universidade Federal da Paraíba – UFPB
- Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
- Universidade Federal do Maranhão – UFMA
- Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
- Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
- Universidade Federal do Pará – UFPA
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
- Universidade Federal do Tocantins – UFT
